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colhendo frutti di bosco

colhendo frutti di bosco

frutti di bosco

frutti di bosco

Vocês já repararam que as nossas lembranças mais queridas, aquelas que recordamos com saudades e que, acreditamos que nunca as esqueceremos, são recordações de coisas muito simples?

Momentos que passamos junto às pessoas que amamos, um pôr-do-sol em uma praia deserta e um prato que comemos em um restaurante rústico depois de um dia de sol e mar. O cheiro de feijão cozinhando que exala das casas nas cidades do interior e aquele leite que você tomou no curral às seis da manhã com seu pai e seus irmãos. O primeiro dia de férias. Acordar de manhã e sentir o perfume de café e pão torrado. O dia em que nossos filhos nasceram e o dia em que conhecemos o nosso grande amor. Os doces e as bolachinhas de sua avó.  A festa de seu aniversário. Um banho de chuva com seus primos. Um almoço de domingo com a sua família. Um domingo com futebol, com praia, com cinema, com pipoca.

passeio em um bosque alpino

passeio em um bosque alpino

Comer fruta no pé. Que delícia! E por falar em fruta no pé, outro dia, estudando o verbo “piacere” (gostar, agradar) e falando de coisas que gostávamos, um aluno lembrou de um sorvete de “mirtillo” que tomou na Itália. Lembrou também da emoção que sentiu no dia em que foi, pela primeira vez, em um bosque italiano procurar e colher “frutti di bosco”. Segundo ele, uma experiência inesquecível. Ele nem soube explicar a emoção que sentiu naquele momento. Pois é, colher frutas silvestres no bosque. Uma coisa tão simples, mas inesquecível.

bosco alpino

bosco alpino

Também já vivi um momento assim em um bosque nos Alpes italianos. Era julho. Subíamos em direção a Val Senales, no Alto Adige ou Sud Tirol, uma região belíssima com muito verde, ar puro, paz e silêncio. Paramos o carro para fazer fotos na beira de um pequeno rio que descia sobre pedras em meio a um bosque perfumado. Por acaso, encontramos um moranguinho e assim iniciamos uma espécie de caça ao tesouro à procura dos “frutti di bosco”.

Encontramos “fragoline” (moranguinhos), “lamponi” (framboesas), “mirtillo” (mirtilo) . Depois, para festejar o nosso tesouro, resolvemos entrar na água geladíssima do rio. Um mergulho apenas. Um de cada vez, após declarar o seu testamento, entrou na água e saiu quase congelado.

À noite, no aconchego do nosso hotel com paredes de madeira, vista para o lago e sob uma coberta quentinha em uma cama macia, dormi o melhor sono da minha vida. Muito simples. Mas, nunca esqueci.

crostata ai frutti di bosco

crostata ai frutti di bosco

Os “frutti di bosco” (fragola, lampone, mirtillo, mora) facilmente consumidos pela gente da montanha, são também utilizados em sobremesas como a salada de frutas, na “crostata”, ou simplesmente saboreados com suco de limão e mel ou com chantilly. Pode-se preparar geléias e licores e são também utilizados nos iogurtes, gelatinas, xaropes, como colorantes para cosméticos e na preparação de outros tipos de doces e naturalmente dos “gelati” (sorvetes).

gelato ai frutti di bosco

Colhidos nos Alpes e nos Apeninos nos meses de julho e agosto, além de conterem vitamina C, potássio e fibras, são ricos em polifenóis e sempre estão surgindo pesquisas
que confirmam as propriedades terapêuticas destas frutinhas como a prevenção de tumores e proteção da saúde cardiovascular. Podem melhorar a elasticidade dos vasos sanguíneos e reduzir os danos provocados pela glicemia alta. Possuem também propriedades antioxidantes que protegem contra os radicais livres.

torta di frutti di bosco

torta di frutti di bosco

Além de defender o coração e rejuvenescer, estas pequeninas frutas são deliciosas e,
se você for um dia à Itália, vá em um bosque de montanha para colher “frutti di bosco”. Será uma experiência simples e inesquecível. Mas, se isto não for possível, experimente então, um “gelato ai frutti di bosco”. Você também vai se recordar sempre.

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Sanremo A região da Liguria é uma faixa estreita  de terra espremida entre o mar e as   montanhas. Com forte apelo turístico, ali estão Genova com seu importante porto, desde os tempos das Grandes Navegações, de Américo Vespúcio, Cristovão Colombo e Andrea Doria, as encantadoras Cinque Terre e a Riviera dei Fiori, onde está Sanremo.

Localidade turística conhecida pelo seu clima ameno, com temperaturas agradáveis, poucas chuvas e dias ensolarados, pelo seu Cassino e pelo cultivo de flores, foi ali, em Sanremo, a “Città dei Fiori” (Cidade das Flores), que o floricultor Amilcare Rambaldi, em 1946, após festival di Sanremoos sofridos anos da Segunda Guerra, propôs a realização de um festival anual de canções. Porém, devido a inúmeras dificuldades, somente em 1951 o sonho do floricultor foi realizado pelo então diretor do Cassino de Sanremo, Pier Bussetti, que organizou a primeira edição do festival entre 29 e 31 de janeiro. O 1º Prêmio dado pelo festival da “Città dei Fiori” foi para a canção “Grazie dei Fiori” interpretada por Nilla Pizzi.

Nilla PizziNasce assim, o Festival della Canzone Italiana, mais conhecido como Festival di Sanremo, um dos mais importantes eventos musicais do mundo, realizado anualmente,sem interrupção, desde 1951, transmitido pelo rádio e a partir de 1955, com o surgimento da televisão na Itália, pela RAI –TV.

Neste ano, a Itália viu surgir Claúdio Villa, cantor com voz de tenor, que levou o 1º Prêmio e venceu mais outras três vezes, tornando-se um assíduo frequentador do festival e um dos seus maiores vencedores. Em 1987, porém, aos 61 anos, Villa morre durante a parte final do festival, vítima de complicações cardíacas.

O Festival di Sanremo lançou vários artistas italianos e indiscutivelmente faz parte da História da canção italiana moderna. Em 1964, Gigliola Cinquetti, com apenas 16 anos, venceu o Festival com a canção “Non ho l’età per amarti” (Não tenho idade para amar-te), conquista o público e permanece no topo da hit-parade até 1966, ano em que vence pela 2ª vez, com a famosa “Dio come ti amo”.

Domenico ModugnoUm outro colecionador de prêmios do Festival foi Domenico Modugno, que em 1955 levantou a platéia com a sua alegre “Nel blu dipinto di blu” (mais conhecida como “Volare”) e com o seu modo de cantar com os braços abertos, inusitado para a época, quando os cantores geralmente cantavam com a mão sobre o peito. Depois desta edição, venceu mais três vezes.

Mas, o Festival di Sanremo também foi palco de momentos tristes. Em 1967, aLuigi Tenco canção “Ciao Amore Ciao” de Luigi Tenco, apresentada pela cantora Dalida não agradou ao público e foi desclassificada. Nesta mesma noite, Tenco foi encontrado morto no seu quarto de hotel. A morte definida como suicídio, o cantor deixou um bilhete no qual justificava seu ato como um protesto contra o resultado do festival, comoveu a Itália. Um mês após a morte de Tenco, Dalida, a primeira a encontrar o corpo do cantor no quarto de hotel, sobrevive a uma tentativa de suicídio com barbitúricos.

Um ano depois, em 1968, um fato inédito no Festival. Pela primeira vez, vence o 1º Prêmio, uma canção italiana interpretada por um estrangeiro: “Canzone per te” de Sergio Endrigo, interpretada pelo cantor brasileiro Roberto Carlos (post: Brasil-Itália: uma relação musical, 18/03/2010).

A partir de 1970, o Festival vive seu momento de crise, mas retorna com novas idéias e vigor em 1979, quando reconquista o seu lugar de importância no cenário musical italiano, levando ao grande público, pela primeira vez, o jovem Roberto Benigni como apresentador do festival.

Eros RamazzottiDesde então, surgiram nos seus palcos grandes estrelas da canção italiana de hoje. Eros Ramazzotti estréia e conquista o Prêmio Jovem com a canção “Terra Promessa” em 1984. Laura Pausini também vence o Prêmio Jovem em 1993 com “La Solitudine” e em 1994 é a vez de Andrea Bocelli com a canção “Il mare calmo della sera”.Laura Pausini

O Festival di Sanremo continua firme na sua trajetória de reunir todos os anos, jovens e veteranos da canção italiana. Em 2011, na sua 61ª edição, dedicada aos 150 anos da unificação italiana, venceu, aos 68 anos, o cantor, compositor e também professor Roberto Vecchioni com a canção “Chiamami Roberto Vecchioniancora amore”.

 

 

 

 

 

 

Francesco De Gregori: O Príncipe Poeta.

Francesco De Gregori Lembro-me de uma primavera italiana, de um piquenique em um bosque na região dos Castelos Romanos. Depois de comermos morangos silvestres sob a sombra e o frescor dos pinheiros, um violão e canções de De Gregori. Naturalmente nos perguntamos: “ Quem é Pablo? Quem é Alice? E Irene, Cesare, Giovanna, o homem que caminha sobre vidros?” Quem são eles e tantos outros personagens que povoam as estórias misteriosas entre realidade e fantasia das canções de De Gregori? Cada um interpreta a seu modo. Depende da sensibilidade, da fantasia, da criatividade. Do momento, do astral. E é bem divertido.

Os textos de poética refinada e ricos de metáforas estimulam estas divagações fantasiosas. Servem também, para constatar cada vez mais, o quanto é bela a língua italiana. Sobretudo nas canções de Francesco De Gregori.

Francesco De Gregori Nascido em Roma em 04 de abril de 1951, Francesco De Gregori, foi denominado “O Príncipe”, por causa do seu jeito aristocrático, da sua música e principalmente da sua poesia. Filho de um bibliotecário e de uma professora, o seu nome lhe foi dado em homenagem a um tio “partigiano” que lutou e foi morto durante a Segunda Guerra Mundial.

Exibiu-se pela primeira vez em público, em 1970, cantando” Buonanotte Ninna” no Folkstudio de Roma, levado por seu irmão Luigi que já se apresentava no local.

Francesco De Gregori - RimmelNo Folkstudio, local de efervescência musical romana nos anos 70, De Gregori conheceu vários músicos e ali começou a sua trajetória artística interpretando canções de Bob Dylan, Leonard Cohen e outros autores de língua inglesa, além daquelas de sua autoria. Mas o grande sucesso chegou com o disco “Rimmel” em 1975, o seu álbum mais famoso, contendo algumas de suas canções mais amadas pelo público como “Buonanotte Fiorellino”, “Pablo”, “Pezzi di vetro” e “Rimmel”.

Ao longo de sua carreira fez discos e turnês com os grandes da música italiana: Fabrizio De André, Lucio Dalla, Antonello Venditi, dentre outros.

Intelectual, apaixonado por música popular, Francesco De Gregori construiu uma notável carreira musical interpretando com a sua voz nasal e delicada, canções de amor, de fábulas contemporâneas e canções políticas, contando, a seu modo, a história de 1968 até hoje, convencido de que somos os únicos responsáveis pela História que todos nós construimos. “La storia siamo noi”( A História somos nós), como repete o refrão de uma de suas mais belas canções.

De Gregori já é parte da História da Canção Italiana e vem encantando e emocionando gerações com a sua música e a sua poesia, publicada inclusive em livros didáticos, e despertando sempre a curiosidade e a vontade de conhecer e decifrar os seus personagens e as suas estórias.

A pizza

la pizza

la pizza

A origem da pizza é muito antiga. A mitologia conta que um dia, após retornar do trabalho, o deus Vulcano perguntou a sua mulher Vênus, o que tinha para o almoço. A deusa, que tinha  esquecido de cozinhar porque havia se encontrado com um dos seus amantes, pegou um pouco de massa que guardara para fazer uma “focaccia”, amassou-a, abriu-a formando um disco fino e assou-a sobre uma pedra quente. Banhou-a com leite e decorou-a com ervas aromáticas. Assim nasceu a pizza segundo a mitologia.

preparando a pizza

preparando a pizza

O costume de preparar os cereais, moendo-os e amassando-os, remonta às civilizações antigas. Na Antiga Roma se usava cozinhar “focaccia di farro”. Pensa-se assim, que a palavra farinha derive de “farro” e que a palavra pizza do participio passado do verbo “pinsère”, que significa amassar, moer. Virgilio narra em uma de suas obras, que alguns camponeses romanos moiam o trigo e obtiam a farinha com a qual faziam uma massa com ervas aromáticas e sal, amassando-a até fazê-la sutil e dando-lhe a forma arredondada, cozinhavam nas brasas do fogo.

Os babilônios, hebreus e gregos misturavam o trigo e a água para assar em fornos rústicos. Os fenícios, sete séculos antes de Cristo, costumavam acrescentar coberturas de carne e cebola ao pão. Podemos assim afirmar, que o pão, a focaccia e a pizza, estão ligados às raízes da nossa civilização. Porém foi no Egito, com a invenção do forno e a descoberta do fermento que a massa se torna mais leve. A partir daí, o pão passa a ser um dos alimentos mais importantes, consumidos e apreciados na história das civilizações.

pizzaiolo

Inicialmente, somente as ervas regionais e o azeite de oliva eram os ingredientes típicos da pizza. Podendo também receber como cobertura o toucinho e pequenos peixes. Depois foi acrescentado o tomate, trazido do Peru para a Itália pelos conquistadores espanhóis.

A pizza era um alimento de pessoas humildes do sul da Itália. Vendida por ambulantes, somente a partir de 1830 têm-se notícia da existência de verdadeiras pizzarias. A Pizzeria Port’Alba é considerada a primeira pizzaria da cidade de Napóles, já com forno feito de tijolos e alimentado a lenha, tornando-se ponto de encontro de artistas e escritores famosos da época, como D’Annunzio e Alexandre Dumas.

pizzeria

A era da pizza moderna com “pomodoro (tomate) e mozzarella” inicia na metade do século XVII. Um episódio célebre em 1889 marcou a história da pizza. O Rei Umberto I e a Rainha Margherita passavam o verão em Napóles, quando a rainha, curiosa de provar a pizza que nunca antes havia comido, mas que já ouvira falar através de escritores e artistas que frequentavam a corte, recebeu no Palácio o pizzaiolo Don Raffaele e sua esposa Dona Rosa que apresentaram à soberana três pizzas: uma com toucinho, queijo e basilico (manjericão), outra com alho, azeite de oliva e tomate e a terceira com queijo mozzarella, tomate e basilico (manjericão), representando as cores da bandeira italiana. A terceira agradou muito à rainha e assim Don Raffaele batizou-a de Pizza Margherita e já no dia seguinte constava no menu da sua pizzaria.

Após a 2ª Guerra Mundial, com a expansão industrial do norte da Itália, milhares de italianos do sul migraram para as cidades de Milão, Turim e Genôva, levando consigo os seus costumes. Começa assim a difusão das pizzarias no norte italiano e a partir dos anos 60, expandem-se por toda a península e conquistam o mundo. Atualmente a cidade que apresenta o consumo mais alto de pizza no mundo é Nova York, seguida de São Paulo.

Contudo, para muitos especialistas, a pizza corre o risco de perder a sua simplicidade e genuinidade. Por isto, em 1982, foi fundada em Napóles, a Accademia della Vera Pizza Napoletana (Associação da Verdadeira Pizza Napolitana) com a missão de proteger a pizza original, as suas regras de preparação e a sua genuinidade, defendendo-a da “miscigenação” cultural que sofre a sua receita.

Segundo à Accademia, a verdadeira pizza napolitana deve ser preparada com farinha, fermento natural, água e sal. A pizza deve ser trabalhada somente com as mãos ou com alguns misturadores aprovados por um comitê. Depois de descansar, deve ser aberta também com as mãos e assada diretamente em forno a lenha. A pizza deve ser bem assada, macia, fácil de ser dobrada ao meio, suas bordas devem ser douradas e o seu diâmetro não deve ultrapassar 35 centímetros.

A Accademia prevê somente dois tipos de pizza:

– Pizza Marinara: com tomate, alho, orégano e azeite extra virgem de oliva.

– Pizza Margherita: com tomate, mozzarella, basilico (manjericão) e azeite extra virgem de oliva.

A pizza napolitana recebeu em 2009, da Comissão Européia, o selo de “Specialità Tradizionale Garantita” – STG (Especialidade Tradicional Garantida).

pizza al taglio

pizza al taglio

Apesar de todas essas exigências, a pizza, um prato amado por adultos e crianças de todo o mundo, ganha características e ingredientes regionais, variando segundo os hábitos locais. Por exemplo, em várias partes da Itália e sobretudo em Roma, é muito apreciada a “Pizza al taglio”, uma pizza preparada em grandes assadeiras retangulares metálicas e colocadas à mostra para serem vendidas por peso, com sabor a escolha do cliente que pode consumi-la ali mesmo, caminhando pelas ruas, sentado em um banco de praça, em uma escadaria, em um gramado de um parque ou levá-la para casa, para o trabalho, para o estádio, para a praia .

comendo pizza al taglio

Realmente, comer uma fatia de pizza al taglio faz parte dos hábitos dos romanos e cada um tem o seu local preferido para comprá-la.

ovo de Páscoa

ovo de Páscoa

procissão sexta-feira santa
procissão sexta-feira santa
pasquetta
pasquetta
pastiera napolitana
pastiera napolitana
colomba
colomba
palio dell'uovo
palio dell’uovo
cordeiro de Páscoa
cordeiro de Páscoa

A palavra Páscoa deriva de “pascha” em latim e de “pesah” em hebraico e significa Passagem. A Páscoa hebraica celebra a libertação do povo judeu da escravidão no Egito. Já a Páscoa cristã, celebra a Ressureição de Cristo.

Essa festa, além das motivações religiosas, é também ligada a antigas celebrações que comemoravam a chegada da primavera, através de ofertas de agradecimento, como os frutos das primeiras colheitas e o sacrificio de cordeiros, cuja carne era consumida em uma refeição ritual.

A tradição cristã é rica de símbolos que recordam a Ressureição de Cristo como a oliva, o ovo, o cordeiro, o sino, a vela e o coelho.

Durante a Semana Santa, do norte ao sul da Itália, acontecem manifestações comemorativas: procissões, festas populares, representações sacras, jogos e tradições folclóricas. 

Em várias cidades italianas organizam-se jogos utilizando o ovo, um símbolo pascoal que representa a vida que se renova, a fecundidade e o reflorecer da natureza com a chegada da primavera. São corridas de ovo na colher, batalha de ovos cozidos, caça aos ovos no palheiro, dentre outros.

E no Domingo de Páscoa, o grande almoço, naturalmente, com cordeiro, doces de Páscoa (colomba, pastiera, etc) e a troca de ovos de chocolate entre parentes e amigos.

A pastiera é um doce napolitano feito com ricota, trigo e ovos. Segundo uma antiga lenda, uma noite, as mulheres dos pescadores deixaram na praia cestas com ricota, frutas cristalizadas, trigo, ovos e flores de laranjeira como ofertas ao “mar”, para que seus maridos retornassem sãos e salvos. Pela manhã, quando retornaram à praia para recepcioná-los, notaram que durante a noite, as ondas misturara os ingredientes e dentro de cada cesta havia uma torta: a pastiera.  Assim, este doce, ainda hoje, não pode faltar na mesa dos napolitanos no Domingo de Páscoa.

Depois deste Domingo de celebrações e de delícias gastronômicas, vem a “Segunda-feira do Anjo”, mais conhecida como “Pasquetta”, feriado nacional e ocasião em que os italianos organizam piqueniques nos parques e bosques, aproveitando o bom tempo, o sol, o calor, enfim, a chegada da primavera.

Nesse dia de alegria e confraternização entre os italianos se recorda o encontro de um anjo com as mulheres que foram ao sepulcro de Jesus, anunciando-lhes a sua ressureição.

Quando se pergunta a um italiano, que foi jovem nas décadas de 60,70 ou 80, qual foi o “cantautore” (compositor e cantor) que lhe tocou mais

Fabrizio De André

Fabrizio De André

fundo a alma e lhe marcou a vida, é muito provável que a resposta seja Fabrizio De André.

Conversando com uma italiana, nascida em Anzio, uma pequena cidade portuária próxima a Roma, ela disse-me que quando era adolescente morando em Roma para continuar os estudos, nos momentos solitários e com a saudade de Anzio lhe apertando o peito, foram as canções de Fabrizio De André contando estórias dos marginalizados, dos rebeldes, dos vencidos, da liberdade e da anarquia, das mulheres e do amor, que lhe preencheram e lhe salvaram a vida.

Fabrizio De André nasceu em Genôva, Itália no dia 18 de fevereiro de 1940. Após frequentar as faculdades de Letras e de Medicina, sem concluir os cursos, frequentou a de Direito e faltando apenas 6 disciplinas para conclui-la, abandona o curso para seguir carreira musical. Inicia assim a conviver com artistas, como Gino Paoli, Luigi Tenco e Paolo Villaggio e a cantar e tocar com os amigos nos bares de Genôva. São anos de vida desregrada, regada a muito álcool.

Fabrizio casa-se e nasce o seu filho Cristiano. Decide assim, pressionado pela situação econômica, abandonar a carreira musical e formar-se em Direito. Mas, inesperadamente, o sucesso chega quando em 1968, Mina interpreta na TV a sua “Canzone di Marinella”. Desde então a sua carreira artística vai de vento em popa e ele lança três de seus álbuns mais famosos: “La Buona novella” – 1970 , inspirada nos Evangelhos Apócrifos “Non al denaro, non all’amore, nè al cielo”- 1971, e “Storia di un impiegato”- 1973.

Já divorciado, passa a viver em uma fazenda na Sardenha, onde conhece e se casa com a cantora Dori Ghezzi e começa a exercitar as suas outras paixões: a culinária e a agricultura.

Fabrizio De Andre

Continua a sua carreira artística lançando inúmeros álbuns sempre com a temática poética focada no ser humano com seus conflitos e sofrimentos, suas dores e seus amores. Contando também os fatos cotidianos, muitas vezes por ele transformados para poupá-los da dor e da injustiça, como na “Canzone di Marinella”, assim como a sociedade italiana do “boom econômico”. Tudo com refinamento musical e linguístico.

Fabrizio De André,  se dizia  ser um libertário e uma pessoa extremamente tolerante e que encontava a convivência social autêntica entre os marginalizados e os humilhados da nossa sociedade.

Esse artista de grande sensibilidade que afirmava ter duas idéias fixas: a ânsia de justiça e a convicção presunçosa de poder transformar o mundo, apesar da última, segundo ele, ter caído com o tempo, morreu na noite de 11 de janeiro de 1999, um mês antes de completar 59 anos, vítima de um câncer.

Reconhecido e amado por pessoas de várias gerações, cujo nome denomina ruas, praças, escolas, bibliotecas e prêmios em várias partes da Itália, Fabrizio De André deixou uma obra poética e musical rica, universal e atemporal, tema inclusive de várias teses universitárias na Itália.

Laura Pausini

Laura Pausini

Sem dúvida, Laura Pausini é atualmente, a cantora italiana de maior sucesso na Itália e com grande popularidade também em vários países, especialmente na Espanha, França, Alemanha, Inglaterra, Portugal, Estados Unidos, Brasil, além de outros países da Europa e da América Latina.

Laura Pausini nasceu em Faenza, Itália em 16 de maio de 1974 e iniciou a sua carreira muito cedo, aos 8 anos, cantando em bares locais, acompanhando seu pai, Fabrizio Pausini, músico e cantor. Aos 13 anos lançou o álbum semi-profissional, “Sogni di Laura”, produzido por seu pai. Mas o sucesso veio em 1993 quando venceu o tradicional Festival di San Remo com uma de suas mais famosas canções, “La Solitudine”. Em seguida lançou o seu primeiro álbum profissional intitulado “Laura Pausini” (1993), que teve grande sucesso na Itália, bem como na França.

Depois do lançamento do segundo álbum, “Laura” (1994), começou a cantar também  em espanhol, visando conquistar mercado na Espanha e na América Latina. Nesse mesmo ano, foi eleita, pela prestigiada revista “Billaboards”, a segunda maior revelação do ano, perdendo apenas para Mariah Carrey.

CD Laura Pausini

CD Laura Pausini

No Brasil, terra do seu compositor favorito, Tom Jobim, Laura faz sucesso desde 1995, primeiro com canções em espanhol e em seguida em italiano, algumas delas inclusive, foram regravadas por Renato Russo, como “La Solitudine”, “Strani Amori” e “Scrivimi”.

Em 1996, Laura além de cantar, começou a compor as suas próprias canções e lançou um dos seus álbuns mais vendidos até hoje, “Le cose che vivi” e sua versão em espanhol, “Las cosas que vives”.

A primeira canção em inglês de Laura foi um remix de “La Solitudine”, lançado com o título de “The Loneliness”.  O seu primeiro álbum totalmente gravado em inglês “From the inside”, (2002), ficou durante semanas entre os mais vendidos e escutados, passando famosos como Madonna, Mariah Carey e Michael Jackson.

Vencedora de vários Grammy’s, é um fenômeno de vendas. Cerca de 70 milhões de cópias de seus discos já foram vendidos nos mais de 60 países onde foram lançados, ganhando mais de 170 discos de platina, 50 de ouro e 3 de diamante.

Algumas de suas canções já foram temas de telenovelas no Brasil e no México e de filmes americanos. A canção “One more time” fez parte da trilha sonora do filme “Message in a Bottle” e “The extra mile” foi usada em  “Pokémon, the movie 2000: The power of one”.

Laura Pausini

Com carreira totalmente consolidada, em 2007 foi a primeira mulher a apresentar-se no Estádio San Siro de Milão, para um público de 70.000 pessoas, lançando logo após, o CD/DVD do show e seu primeiro livro que descreve os momentos inesquecíveis desse show.

No momento, está preparando o seu novo álbum que será lançado em novembro de 2011.

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