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Archive for the ‘Culinária’ Category

colhendo frutti di bosco

colhendo frutti di bosco

frutti di bosco

frutti di bosco

Vocês já repararam que as nossas lembranças mais queridas, aquelas que recordamos com saudades e que, acreditamos que nunca as esqueceremos, são recordações de coisas muito simples?

Momentos que passamos junto às pessoas que amamos, um pôr-do-sol em uma praia deserta e um prato que comemos em um restaurante rústico depois de um dia de sol e mar. O cheiro de feijão cozinhando que exala das casas nas cidades do interior e aquele leite que você tomou no curral às seis da manhã com seu pai e seus irmãos. O primeiro dia de férias. Acordar de manhã e sentir o perfume de café e pão torrado. O dia em que nossos filhos nasceram e o dia em que conhecemos o nosso grande amor. Os doces e as bolachinhas de sua avó.  A festa de seu aniversário. Um banho de chuva com seus primos. Um almoço de domingo com a sua família. Um domingo com futebol, com praia, com cinema, com pipoca.

passeio em um bosque alpino

passeio em um bosque alpino

Comer fruta no pé. Que delícia! E por falar em fruta no pé, outro dia, estudando o verbo “piacere” (gostar, agradar) e falando de coisas que gostávamos, um aluno lembrou de um sorvete de “mirtillo” que tomou na Itália. Lembrou também da emoção que sentiu no dia em que foi, pela primeira vez, em um bosque italiano procurar e colher “frutti di bosco”. Segundo ele, uma experiência inesquecível. Ele nem soube explicar a emoção que sentiu naquele momento. Pois é, colher frutas silvestres no bosque. Uma coisa tão simples, mas inesquecível.

bosco alpino

bosco alpino

Também já vivi um momento assim em um bosque nos Alpes italianos. Era julho. Subíamos em direção a Val Senales, no Alto Adige ou Sud Tirol, uma região belíssima com muito verde, ar puro, paz e silêncio. Paramos o carro para fazer fotos na beira de um pequeno rio que descia sobre pedras em meio a um bosque perfumado. Por acaso, encontramos um moranguinho e assim iniciamos uma espécie de caça ao tesouro à procura dos “frutti di bosco”.

Encontramos “fragoline” (moranguinhos), “lamponi” (framboesas), “mirtillo” (mirtilo) . Depois, para festejar o nosso tesouro, resolvemos entrar na água geladíssima do rio. Um mergulho apenas. Um de cada vez, após declarar o seu testamento, entrou na água e saiu quase congelado.

À noite, no aconchego do nosso hotel com paredes de madeira, vista para o lago e sob uma coberta quentinha em uma cama macia, dormi o melhor sono da minha vida. Muito simples. Mas, nunca esqueci.

crostata ai frutti di bosco

crostata ai frutti di bosco

Os “frutti di bosco” (fragola, lampone, mirtillo, mora) facilmente consumidos pela gente da montanha, são também utilizados em sobremesas como a salada de frutas, na “crostata”, ou simplesmente saboreados com suco de limão e mel ou com chantilly. Pode-se preparar geléias e licores e são também utilizados nos iogurtes, gelatinas, xaropes, como colorantes para cosméticos e na preparação de outros tipos de doces e naturalmente dos “gelati” (sorvetes).

gelato ai frutti di bosco

Colhidos nos Alpes e nos Apeninos nos meses de julho e agosto, além de conterem vitamina C, potássio e fibras, são ricos em polifenóis e sempre estão surgindo pesquisas
que confirmam as propriedades terapêuticas destas frutinhas como a prevenção de tumores e proteção da saúde cardiovascular. Podem melhorar a elasticidade dos vasos sanguíneos e reduzir os danos provocados pela glicemia alta. Possuem também propriedades antioxidantes que protegem contra os radicais livres.

torta di frutti di bosco

torta di frutti di bosco

Além de defender o coração e rejuvenescer, estas pequeninas frutas são deliciosas e,
se você for um dia à Itália, vá em um bosque de montanha para colher “frutti di bosco”. Será uma experiência simples e inesquecível. Mas, se isto não for possível, experimente então, um “gelato ai frutti di bosco”. Você também vai se recordar sempre.

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la pizza

la pizza

A origem da pizza é muito antiga. A mitologia conta que um dia, após retornar do trabalho, o deus Vulcano perguntou a sua mulher Vênus, o que tinha para o almoço. A deusa, que tinha  esquecido de cozinhar porque havia se encontrado com um dos seus amantes, pegou um pouco de massa que guardara para fazer uma “focaccia”, amassou-a, abriu-a formando um disco fino e assou-a sobre uma pedra quente. Banhou-a com leite e decorou-a com ervas aromáticas. Assim nasceu a pizza segundo a mitologia.

preparando a pizza

preparando a pizza

O costume de preparar os cereais, moendo-os e amassando-os, remonta às civilizações antigas. Na Antiga Roma se usava cozinhar “focaccia di farro”. Pensa-se assim, que a palavra farinha derive de “farro” e que a palavra pizza do participio passado do verbo “pinsère”, que significa amassar, moer. Virgilio narra em uma de suas obras, que alguns camponeses romanos moiam o trigo e obtiam a farinha com a qual faziam uma massa com ervas aromáticas e sal, amassando-a até fazê-la sutil e dando-lhe a forma arredondada, cozinhavam nas brasas do fogo.

Os babilônios, hebreus e gregos misturavam o trigo e a água para assar em fornos rústicos. Os fenícios, sete séculos antes de Cristo, costumavam acrescentar coberturas de carne e cebola ao pão. Podemos assim afirmar, que o pão, a focaccia e a pizza, estão ligados às raízes da nossa civilização. Porém foi no Egito, com a invenção do forno e a descoberta do fermento que a massa se torna mais leve. A partir daí, o pão passa a ser um dos alimentos mais importantes, consumidos e apreciados na história das civilizações.

pizzaiolo

Inicialmente, somente as ervas regionais e o azeite de oliva eram os ingredientes típicos da pizza. Podendo também receber como cobertura o toucinho e pequenos peixes. Depois foi acrescentado o tomate, trazido do Peru para a Itália pelos conquistadores espanhóis.

A pizza era um alimento de pessoas humildes do sul da Itália. Vendida por ambulantes, somente a partir de 1830 têm-se notícia da existência de verdadeiras pizzarias. A Pizzeria Port’Alba é considerada a primeira pizzaria da cidade de Napóles, já com forno feito de tijolos e alimentado a lenha, tornando-se ponto de encontro de artistas e escritores famosos da época, como D’Annunzio e Alexandre Dumas.

pizzeria

A era da pizza moderna com “pomodoro (tomate) e mozzarella” inicia na metade do século XVII. Um episódio célebre em 1889 marcou a história da pizza. O Rei Umberto I e a Rainha Margherita passavam o verão em Napóles, quando a rainha, curiosa de provar a pizza que nunca antes havia comido, mas que já ouvira falar através de escritores e artistas que frequentavam a corte, recebeu no Palácio o pizzaiolo Don Raffaele e sua esposa Dona Rosa que apresentaram à soberana três pizzas: uma com toucinho, queijo e basilico (manjericão), outra com alho, azeite de oliva e tomate e a terceira com queijo mozzarella, tomate e basilico (manjericão), representando as cores da bandeira italiana. A terceira agradou muito à rainha e assim Don Raffaele batizou-a de Pizza Margherita e já no dia seguinte constava no menu da sua pizzaria.

Após a 2ª Guerra Mundial, com a expansão industrial do norte da Itália, milhares de italianos do sul migraram para as cidades de Milão, Turim e Genôva, levando consigo os seus costumes. Começa assim a difusão das pizzarias no norte italiano e a partir dos anos 60, expandem-se por toda a península e conquistam o mundo. Atualmente a cidade que apresenta o consumo mais alto de pizza no mundo é Nova York, seguida de São Paulo.

Contudo, para muitos especialistas, a pizza corre o risco de perder a sua simplicidade e genuinidade. Por isto, em 1982, foi fundada em Napóles, a Accademia della Vera Pizza Napoletana (Associação da Verdadeira Pizza Napolitana) com a missão de proteger a pizza original, as suas regras de preparação e a sua genuinidade, defendendo-a da “miscigenação” cultural que sofre a sua receita.

Segundo à Accademia, a verdadeira pizza napolitana deve ser preparada com farinha, fermento natural, água e sal. A pizza deve ser trabalhada somente com as mãos ou com alguns misturadores aprovados por um comitê. Depois de descansar, deve ser aberta também com as mãos e assada diretamente em forno a lenha. A pizza deve ser bem assada, macia, fácil de ser dobrada ao meio, suas bordas devem ser douradas e o seu diâmetro não deve ultrapassar 35 centímetros.

A Accademia prevê somente dois tipos de pizza:

– Pizza Marinara: com tomate, alho, orégano e azeite extra virgem de oliva.

– Pizza Margherita: com tomate, mozzarella, basilico (manjericão) e azeite extra virgem de oliva.

A pizza napolitana recebeu em 2009, da Comissão Européia, o selo de “Specialità Tradizionale Garantita” – STG (Especialidade Tradicional Garantida).

pizza al taglio

pizza al taglio

Apesar de todas essas exigências, a pizza, um prato amado por adultos e crianças de todo o mundo, ganha características e ingredientes regionais, variando segundo os hábitos locais. Por exemplo, em várias partes da Itália e sobretudo em Roma, é muito apreciada a “Pizza al taglio”, uma pizza preparada em grandes assadeiras retangulares metálicas e colocadas à mostra para serem vendidas por peso, com sabor a escolha do cliente que pode consumi-la ali mesmo, caminhando pelas ruas, sentado em um banco de praça, em uma escadaria, em um gramado de um parque ou levá-la para casa, para o trabalho, para o estádio, para a praia .

comendo pizza al taglio

Realmente, comer uma fatia de pizza al taglio faz parte dos hábitos dos romanos e cada um tem o seu local preferido para comprá-la.

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