Francesco De Gregori: O Príncipe Poeta.
Lembro-me de uma primavera italiana, de um piquenique em um bosque na região dos Castelos Romanos. Depois de comermos morangos silvestres sob a sombra e o frescor dos pinheiros, um violão e canções de De Gregori. Naturalmente nos perguntamos: “ Quem é Pablo? Quem é Alice? E Irene, Cesare, Giovanna, o homem que caminha sobre vidros?” Quem são eles e tantos outros personagens que povoam as estórias misteriosas entre realidade e fantasia das canções de De Gregori? Cada um interpreta a seu modo. Depende da sensibilidade, da fantasia, da criatividade. Do momento, do astral. E é bem divertido.
Os textos de poética refinada e ricos de metáforas estimulam estas divagações fantasiosas. Servem também, para constatar cada vez mais, o quanto é bela a língua italiana. Sobretudo nas canções de Francesco De Gregori.
Nascido em Roma em 04 de abril de 1951, Francesco De Gregori, foi denominado “O Príncipe”, por causa do seu jeito aristocrático, da sua música e principalmente da sua poesia. Filho de um bibliotecário e de uma professora, o seu nome lhe foi dado em homenagem a um tio “partigiano” que lutou e foi morto durante a Segunda Guerra Mundial.
Exibiu-se pela primeira vez em público, em 1970, cantando” Buonanotte Ninna” no Folkstudio de Roma, levado por seu irmão Luigi que já se apresentava no local.
No Folkstudio, local de efervescência musical romana nos anos 70, De Gregori conheceu vários músicos e ali começou a sua trajetória artística interpretando canções de Bob Dylan, Leonard Cohen e outros autores de língua inglesa, além daquelas de sua autoria. Mas o grande sucesso chegou com o disco “Rimmel” em 1975, o seu álbum mais famoso, contendo algumas de suas canções mais amadas pelo público como “Buonanotte Fiorellino”, “Pablo”, “Pezzi di vetro” e “Rimmel”.
Ao longo de sua carreira fez discos e turnês com os grandes da música italiana: Fabrizio De André, Lucio Dalla, Antonello Venditi, dentre outros.
Intelectual, apaixonado por música popular, Francesco De Gregori construiu uma notável carreira musical interpretando com a sua voz nasal e delicada, canções de amor, de fábulas contemporâneas e canções políticas, contando, a seu modo, a história de 1968 até hoje, convencido de que somos os únicos responsáveis pela História que todos nós construimos. “La storia siamo noi”( A História somos nós), como repete o refrão de uma de suas mais belas canções.
De Gregori já é parte da História da Canção Italiana e vem encantando e emocionando gerações com a sua música e a sua poesia, publicada inclusive em livros didáticos, e despertando sempre a curiosidade e a vontade de conhecer e decifrar os seus personagens e as suas estórias.
Que legal seu blog. Amei o post falando sobre Francesco de Gregori. Vou procurar mais sobre! Vou ler outros, pois temos algo em comum: também sou apaixonada pela Itália! Ps: da Fiorella tb amei